Onde Investir Para se Proteger Contra a Inflação?

A divulgação do IPC 15 na semana passada em 0,89% em agosto levantou preocupações sobre o espectro da inflação. A medida é um instantâneo da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Se confirmado, o IPCA acumulará 12 meses encerrados em agosto em 9,7%.

A decisão de proteger parte da carteira da inflação parece óbvia. No entanto, os retornos dos ativos deste ano deixaram os investidores confusos sobre quais ativos poderiam ser usados ​​para proteção.

A tabela a seguir mostra os retornos em 2021 até a última sexta-feira (3 de setembro) dos 10 maiores investimentos brasileiros e IPCAs do ano até julho.

 

Podemos verificar que nenhum ativo gerou retornos suficientes neste ano para atingir a metade do retorno sobre a inflação.

Na verdade, 60% deles mostra um deslocamento negativo. Mesmo ativos referenciados no IPCA, como os populares Letras do Tesouro IPCA, apresentam rentabilidade inferior.

Os piores são os títulos do Tesouro com prazo superior a 5 anos. Por exemplo, a nota do Tesouro IPCA+ 2045 perdeu mais de 21% no ano.

Qual o melhor investimento para evitar essa perda de poder aquisitivo?

Antes de indicar quais investimentos podem ser considerados como proteção contra a inflação, é importante ressaltar a expectativa de que a variação do IPCA continue tão elevada quanto no ano passado.

Segundo o boletim semanal Focus do banco central, nesta segunda-feira, os economistas do mercado preveem que o IPCA em 2022 cairá abaixo de 4%.

Explico abaixo quatro ferramentas que podem ser consideradas para proteção contra a inflação. No entanto, essa proteção deve ser avaliada a médio prazo, ou seja, mais de dois anos.

No curto prazo, conforme indicado no quadro acima, oscilações nos preços de mercado podem influenciar o efeito de uma medida protecionista.

Títulos Públicos

Nenhum título deve ser adquirido neste momento e não é suficiente para ser denominado IPCA.

Em tempos de incerteza política, é muito arriscado investir em títulos de longo prazo. Mudanças nesses números serão ainda influenciadas por flutuações nas taxas de juros causadas por ruídos políticos e fiscais.

Prefere títulos de curto e médio prazo. Esses títulos serão menos sensíveis a quaisquer aumentos de taxas, por causa da inflação de curto prazo.

Títulos Privados

Para títulos corporativos, você deve seguir a mesma estratégia dos títulos do governo. No entanto, eles têm uma vantagem adicional.

Os títulos privados valem mais do que os títulos do governo. Esse prêmio pode elevar em 30% o juro real, ou seja, os juros acima da inflação que ganha quando comparado aos títulos públicos.

Por exemplo, o Tesouro IPCA 2026 tem taxa de IPCA, 5% ao ano. No entanto, deve subtrair desta remuneração a taxa de custódia da CBLC. Assim, o retorno que deve receber, ainda bruto de IR, será de IPCA, 25% ao ano. Existem CDBs de mesmo prazo com retorno de IPCA 5,6% ao ano. Como resultado, o retorno da inflação é 31% maior.

Uma vantagem incomum dos CDBs sobre os títulos do governo é que eles não estão listados no mercado. Portanto, é mais fácil para os investidores perceberem um efeito protetor sobre a inflação.

Fundos de Investimento

fundos referenciados no IPCA com prazo médio de vencimento dos títulos de até 6 anos.

Procure fundos com IMAB5 como referência (ou referência). A carteira do índice inclui títulos públicos referenciados em IPCA com vencimento em até 5 anos.

Cuidado para não confundir com IMAB 5. Este é formado por títulos de longo prazo.

O prazo médio de vencimento dos títulos IMAB 5 é de dois anos e meio. Essa é a vantagem dos fundos que seguem esse padrão. Você investe em uma carteira de títulos, não títulos.

Se você investir em fundos de private equity, pode esperar retornos semelhantes sobre os títulos mencionados acima. Além disso, para alguns fundos, você pode estar isento de IR.

As ações e fundos referenciados no IMAB5 têm batido consistentemente o IPCA no longo prazo. No gráfico abaixo, observe que, nos últimos 18 anos, o IMAB5 alterou o IPCA mais de vezes. Um investimento de R$ 10.000,00 no IMAB5 em 2003, se valorizou para R$90.111,3 atualmente. O mesmo investimento em um ativo que se valoriza apenas o IPCA atingiria R$ 26.430,3 no mesmo período. Como comparação, neste período o CDI apesar de ganhar do IPCA, rendeu 36% menos que o IMAB5.

A dificuldade para avaliar o benefício ocorre apenas quando se avalia em intervalos curtos, como neste ano.

Fundos Imobiliários

Os fundos de investimentos imobiliários (FIIs) também podem ser uma boa alternativa para proteção da inflação. Os aluguéis são corrigidos pela inflação. Portanto, os dividendos dos FIIs devem subir com o tempo.

Eles guardam uma vantagem em relação aos imóveis diretamente, pela diversificação, liquidez, isenção de IR e maior remuneração.

Os FIIs que investem em CRIs são uma alternativa interessante para os que desejam correr menos risco.

A paciência para esperar passar o período de maior turbulência será recompensada com maior remuneração no futuro.

Lembre-se de manter alguns recursos de caixa. Essa é uma boa estratégia para aproveitar a oportunidade quando as taxas de juros eventualmente subirem mais acentuadamente do que o esperado.

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